A experiência vivida da sensibilidade à rejeição no TDAH
- Clinica Villas Psi

- 4 de fev.
- 3 min de leitura
Um novo estudo publicado no PLOS ONE (2026) oferece um mergulho inédito e profundamente humano na
experiência da sensibilidade à rejeição em adultos com TDAH. Baseado em grupos focais com estudantes universitários diagnosticados, o trabalho revela como esse fenômeno afeta emoções, corpo, relações e oportunidades de vida. ¹

A sensibilidade à rejeição (SR) é um aspecto da desregulação emocional no TDAH que ainda recebe pouca atenção científica, apesar de seu impacto significativo. O estudo “The lived experience of rejection sensitivity in ADHD – A qualitative exploration” investigou essa vivência por meio de entrevistas em grupo com cinco estudantes universitários, todos com diagnóstico formal de TDAH. 1
A análise temática identificou três grandes eixos que estruturam a experiência desses participantes: retirada, mascaramento e sensações corporais.
1. Retirada: quando o medo da rejeição afasta da vida
Os participantes relataram que a antecipação da rejeição, mesmo antes de qualquer evento real, pode ser mais dolorosa do que a rejeição em si. Isso leva a comportamentos de evitação, como:
afastamento de amizades e relações familiares;
evitar interações sociais e oportunidades acadêmicas;
não se candidatar a vagas ou não entregar trabalhos por medo de críticas.
Esse ciclo de retraimento frequentemente resulta em solidão, sensação de inadequação e prejuízo significativo na vida social e profissional. 1
2. Mascaramento: esconder a dor para sobreviver
Outro tema central é o mascaramento emocional. Os participantes descrevem o uso de uma “máscara de dureza” para ocultar o quanto críticas e rejeições os afetam. Isso inclui:
dificuldade em distinguir rejeição real de rejeição percebida;
receio de pedir validação por medo de parecer “sensível demais”;
sensação de desconexão de si mesmos, como se estivessem apenas “observando” a interação social.
Com o tempo, esse mascaramento contribui para dissociação emocional e maior isolamento. 1
3. Sensações corporais: quando a rejeição dói no corpo
A sensibilidade à rejeição não se manifesta apenas no plano emocional. Os participantes relataram sensações físicas intensas, como:
aperto no peito ou na garganta;
calor súbito pelo corpo;
náusea e desconforto estomacal;
sensação de paralisia.
Essas respostas corporais se assemelham a estados de estresse e ansiedade, indicando que a SR pode acionar um forte sistema fisiológico de alerta. 1
Impactos amplos na vida
O estudo mostra que a sensibilidade à rejeição afeta múltiplas dimensões:
Saúde mental: ansiedade, tristeza, vergonha, desesperança.
Funcionamento social: isolamento, dificuldade em manter vínculos.
Vida acadêmica e profissional: perda de oportunidades, autocensura, medo de avaliação.
Os autores destacam que a SR pode ser um fator-chave por trás de muitos desafios psicossociais associados ao TDAH, e que compreender melhor esse fenômeno pode ajudar a reduzir seu impacto. 1
Por que este estudo é importante
Este é um dos primeiros trabalhos qualitativos a explorar diretamente a experiência vivida da sensibilidade à rejeição em pessoas com TDAH. Ele reforça que:
não se trata de exagero ou “drama”, mas de uma experiência real, complexa e multifacetada;
a validação e a compreensão do entorno podem aliviar o sofrimento, embora pedir essa validação também seja difícil para quem vive SR;
há necessidade urgente de ampliar o conhecimento sobre desregulação emocional no TDAH.
Conclusão
A sensibilidade à rejeição é um componente profundo e frequentemente invisível da vida de muitas pessoas com TDAH. Este estudo ilumina essa vivência com rigor e sensibilidade, oferecendo pistas valiosas para profissionais, familiares, educadores e para a própria comunidade neurodivergente.
Se o objetivo é apoiar pessoas com TDAH, compreender a SR é um passo essencial, e este estudo contribui de forma significativa para esse caminho.
(1) Rowney-Smith, A., Sutton, B., Quadt, L., & Eccles, J. A. (2026). The lived experience of rejection sensitivity in ADHD: A qualitative exploration. PLoS ONE, 21(1), e0314669. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0314669
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