top of page

A experiência vivida da sensibilidade à rejeição no TDAH


Um novo estudo publicado no PLOS ONE (2026) oferece um mergulho inédito e profundamente humano na

experiência da sensibilidade à rejeição em adultos com TDAH. Baseado em grupos focais com estudantes universitários diagnosticados, o trabalho revela como esse fenômeno afeta emoções, corpo, relações e oportunidades de vida. ¹



A sensibilidade à rejeição (SR) é um aspecto da desregulação emocional no TDAH que ainda recebe pouca atenção científica, apesar de seu impacto significativo. O estudo “The lived experience of rejection sensitivity in ADHD – A qualitative exploration” investigou essa vivência por meio de entrevistas em grupo com cinco estudantes universitários, todos com diagnóstico formal de TDAH. 1


A análise temática identificou três grandes eixos que estruturam a experiência desses participantes: retirada, mascaramento e sensações corporais.


1. Retirada: quando o medo da rejeição afasta da vida

Os participantes relataram que a antecipação da rejeição, mesmo antes de qualquer evento real, pode ser mais dolorosa do que a rejeição em si. Isso leva a comportamentos de evitação, como:

  • afastamento de amizades e relações familiares;

  • evitar interações sociais e oportunidades acadêmicas;

  • não se candidatar a vagas ou não entregar trabalhos por medo de críticas.

Esse ciclo de retraimento frequentemente resulta em solidão, sensação de inadequação e prejuízo significativo na vida social e profissional. 1


2. Mascaramento: esconder a dor para sobreviver

Outro tema central é o mascaramento emocional. Os participantes descrevem o uso de uma “máscara de dureza” para ocultar o quanto críticas e rejeições os afetam. Isso inclui:

  • dificuldade em distinguir rejeição real de rejeição percebida;

  • receio de pedir validação por medo de parecer “sensível demais”;

  • sensação de desconexão de si mesmos, como se estivessem apenas “observando” a interação social.

Com o tempo, esse mascaramento contribui para dissociação emocional e maior isolamento. 1


3. Sensações corporais: quando a rejeição dói no corpo

A sensibilidade à rejeição não se manifesta apenas no plano emocional. Os participantes relataram sensações físicas intensas, como:

  • aperto no peito ou na garganta;

  • calor súbito pelo corpo;

  • náusea e desconforto estomacal;

  • sensação de paralisia.

Essas respostas corporais se assemelham a estados de estresse e ansiedade, indicando que a SR pode acionar um forte sistema fisiológico de alerta. 1


Impactos amplos na vida

O estudo mostra que a sensibilidade à rejeição afeta múltiplas dimensões:

  • Saúde mental: ansiedade, tristeza, vergonha, desesperança.

  • Funcionamento social: isolamento, dificuldade em manter vínculos.

  • Vida acadêmica e profissional: perda de oportunidades, autocensura, medo de avaliação.

Os autores destacam que a SR pode ser um fator-chave por trás de muitos desafios psicossociais associados ao TDAH, e que compreender melhor esse fenômeno pode ajudar a reduzir seu impacto. 1


Por que este estudo é importante

Este é um dos primeiros trabalhos qualitativos a explorar diretamente a experiência vivida da sensibilidade à rejeição em pessoas com TDAH. Ele reforça que:

  • não se trata de exagero ou “drama”, mas de uma experiência real, complexa e multifacetada;

  • a validação e a compreensão do entorno podem aliviar o sofrimento, embora pedir essa validação também seja difícil para quem vive SR;

  • há necessidade urgente de ampliar o conhecimento sobre desregulação emocional no TDAH.


Conclusão

A sensibilidade à rejeição é um componente profundo e frequentemente invisível da vida de muitas pessoas com TDAH. Este estudo ilumina essa vivência com rigor e sensibilidade, oferecendo pistas valiosas para profissionais, familiares, educadores e para a própria comunidade neurodivergente.

Se o objetivo é apoiar pessoas com TDAH, compreender a SR é um passo essencial, e este estudo contribui de forma significativa para esse caminho.



(1) Rowney-Smith, A., Sutton, B., Quadt, L., & Eccles, J. A. (2026). The lived experience of rejection sensitivity in ADHD: A qualitative exploration. PLoS ONE, 21(1), e0314669. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0314669 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Todos os direitos reservados.

  • Instagram
  • Facebook
bottom of page